Sex, 04 Jul, 01h12
BRASÍLIA (Reuters) - O príncipe Albert de Mônaco autorizou nesta sexta-feira a extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, atendendo ao pedido do governo brasileiro, informou o Ministério da Justiça.
À decisão do príncipe não cabe recurso e, segundo comunicado do ministério, a medida "representa a palavra final do governo monegasco sobre o assunto".
O diretor-geral de Justiça de Mônaco, Philippe Narmino, informou ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que o governo brasileiro será comunicado oficialmente, por via diplomática, ainda nesta sexta-feira, da decisão do príncipe.
"Tenho a honra de comunicá-lo que o príncipe Albert acaba de concordar com a extradição ao Brasil do senhor Salvatore Cacciola, fundamentada no mandado de prisão de 19 de julho de 2000", disse o comunicado de Narmino, enviado ao ministro brasileiro.
O pronunciamento do príncipe Albert ratifica a decisão do Tribunal de Apelações de Mônaco. Os recursos apresentadas contra o parecer da Procuradoria do principado favorável à volta ao Brasil do ex-dono do Banco Marka já haviam sido recusadas.
A Corte de Direitos Humanos da Europa também negou, na semana passada, um recurso do ex-banqueiro para não ser extraditado de Mônaco para o Brasil.
Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça brasileira por crime de peculato (utilização do cargo para apropriação de dinheiro). Foragido desde 2000, ele foi preso por agentes da Interpol em Mônaco em setembro do ano passado.
O escândalo financeiro envolvendo Cacciola ocorreu em 1999, durante o processo de desvalorização do real, quando o Banco Central socorreu os bancos Marka e FonteCindam com 1,6 bilhão de reais.
O BC justificou na época a ajuda a esses bancos como uma medida para evitar o que classificou de risco sistêmico para o mercado financeiro do país.
(Por Raymond Colitt e Pedro Fonseca)
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